Filho do Leão


O TURBILHÃO E O GRITO
26 janeiro, 2013, 7:44 pm
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7‎ de ‎maio‎ de ‎2012, ‏‎22:19:10

É tudo um turbilhão dentro de mim, pensamentos e ideias sobem e descem em ritmo frenético e descontrolado. Alguns deles eu tento, a todo custo, empurrar para o mais fundo que posso a fim de escondê-los de mim mesmo, já que não tenho conseguido matá-los afogados, mas como uma boia não fica submersa, a pouca densidade desses pensamentos sempre os trazem à tona, sempre ficam visíveis, acessíveis a mim e àqueles mais sensíveis aos detalhes.

Ser transparente nas emoções tem lá suas vantagens, assim como as inegáveis desvantagens, hoje olho para as desvantagens e as considero grandes demais. Sinto-me cego pela situação, sei que o panorama diante dos meus olhos está borrado, distorcido, não traduz a realidade, mas ainda assim não consigo refletir e chegar ao equilíbrio clareador da visão. A névoa de sentimentos revoltos e inquietos parece ter mais poder do que a minha vontade de enxergar além da fumaça.

No meio de tudo sinto-me perdido e grito por socorro: “Jesus, rescue me!”. Chamo por Ele que põe em tremor a escuridão, que dissipa as trevas como a luz do sol desfaz o poder da noite. E, como o Senhor gosta de expor seus pensamentos em alusões bucólicas, mais uma vez deleito-me em suas promessas metafóricas, mas profundamente reais e capazes de acalmar todo o turbilhão e desequilíbrio que me trouxe até os seus pés clamando por socorro.

“Mas para vocês que reverenciam o meu nome, o sol da justiça se levantará trazendo cura em suas asas. E vocês sairão e saltarão como bezerros soltos do curral.”
(Malaquias 4:2)

C.H.Leonel



A Aridez desta Redoma
7 janeiro, 2013, 12:07 am
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Em situação habitual, encontro-me a caminhar e a olhar em volta. A paisagem não é convidativa, nem colorida, não parece ter vida. Troncos ressequidos perdem-se ao longe tingidos em tons de terra seca, porque assim ela também está. Mas permaneço caminhando de mãos dadas com…Mas onde está? Ah! Ninguém…permaneço caminhando de mãos dadas a ninguém.
As mãos procuram por outras mãos, procuram por algo para envolver os dedos, encontram o ar. Não é que não queiram estar aqui, mas não podem vir. Há caminhos de mãos soltas, onde a esquerda só encontra a sua irmã direita.
A água ainda não secou por completo, mas não inspira esperança, parece mais ecoar em uníssono com o restante do ambiente clamando pela umidade.
E faz pensar: “Por aqui já houve nalgum período o precioso líquido ou fora sempre desprovido de tão básica necessidade?”. A resposta não é fácil, a turvação toma as ideias quando se tenta sanar a dúvida.
De algum lugar quase se pode ouvir uma voz a falar: “A saída não está no que já se foi, mas naquilo que pode vir a ser”. E chegamos de novo à tal esperança. Ah…aquela apresentada de verde, amiga íntima da fé. Mas a rarefação do ar dificulta os suspiros! A imagem captada pelos olhos aponta dedos acusadores e ri da fé. Mas ela não pertence à matéria ou ao visível, alimenta-se do invisível e lá estabelece-se.
Então, não é loucura enxergar na sequidão dos troncos, árvores frondosas, na depressão desenhada com linearidade, correntes fortes de águas como se estivessem vivas e sobrepondo-se à peculiar tonalidade árida, um verde fulgurante. Não é que já exista, mas é aquilo que o Logos pode trazer à existência e por isso, mais uma vez ponho-me a esperar, mesmo sem sentir mão alguma por aqui.

C.H.Leonel



Da (minha) esperança
24 agosto, 2011, 11:54 pm
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Esperança em meio a um cenário de desesperança.

 

Esperança antiga

Esperança nova

Esperança frustrada, morta

Esperança renascida

(Des)esperança

— “Há esperança em Israel”.

— Há?

— Há.

Preciso da esperança alada como a águia

Esperança renovadora da força miúda do cansado de esperar

Esperança inabalável como montes

Sionismo?

Não aquele das cruzadas, tão terreno e cheio de morte

Mas é a espera da chegada do invisível e eterno

Esperança de permanecer com esperança

Se enquanto há vida, há esperança

Então, afirmo, enquanto há esperança, há vida

“Há esperança em Israel”



Hoje
27 agosto, 2010, 9:33 pm
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Hoje parece que é tudo mentira, máscara, capa, maquiagem para esconder o verdadeiro, a repugnante cara feia!

Hoje o ar parece pesado, denso, insuficiente, moribundo, arrastado ao mesmo tempo que é cortante, faz sangrar algo por dentro, não importa o quanto se tente livrar-se das farpas, a existência delas é inegável e o efeito delas, tangível demais para se fingir que estão ausentes.

Por fora se vê pouco do estrago interno, só verá quem andar pelo caminho da profundidade. Você se acha capaz de andar nesse nível de conhecimento? Não comece se não quiser ir até o fim…não dê o primeiro passo se não estiver disposto a chegar ao fim da estrada. Por aqui não se acham os tijolos amarelos de Dorothy.

Hoje me sinto como um rato escondido na toca, porque o gato à espreita é demasiadamente assustador para se considerar a possibilidade da saída, da exposição, do enfrentamento.

Discursos triunfalistas parecem extremamente vazios, um continente sem conteúdo firme, durável, confiável.

Os pensamentos vagueiam desordenados em espaços medonhos, insanos, como vias sinuosas sem um fim certo, ou que transpareça segurança. É como se tudo o que pode ser abalado estivesse sendo abalado.

Hoje minha necessidade da Fortaleza, da Rocha Eterna, das mãos que sustentam o mundo, da Luz das nações, do Desejado das nações, do aconchego de se estar sob àquelas adoráveis asas, está ainda mais aparente, presente, pulsante, viva.

Somente a certeza de encontrar tal lugar, ainda disponível a mim, pode me fazer permanecer crendo na relevância dos dias. É preciso crer na bondade eterna e existente em qualquer que seja a situação, mesmo quando se duvida de sua realidade ou alcance.

Alcance-me, oh paz do Príncipe da paz!

Encontrem-me, oh olhos como chama de fogo e queimem tudo o que precisa ser eliminado. Tu e só Tu és minha esperança!

C.H. Leonel



The Real Me
16 março, 2010, 2:03 pm
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Imagens por trás do reflexo do espelho

Há dias em que eu acordo e não gosto nada do que vejo no espelho…ou melhor, não gosto de tudo o que há por trás daquele rosto refletido no espelho. Quando minhas atitudes são tão desprezíveis, ou será que elas só revelaram a podridão que sempre esteve lá? Aquela latente vontade de fazer o que é errado? Aquelas fraquezas de causar ojeriza, náuseas, êmeses…?

Depois de me sentir tão indigno e impuro, começo a me perguntar: “E se eu me mostrasse completamente sem máscaras? O que as pessoas pensariam? O que as pessoas fariam? Será que ainda diriam frase como: ‘Eu te amo’, ‘Eu te admiro’, ‘Eu gosto de estar contigo’ e outras como essas…? Será? Será que restaria algum amigo?”

No poço do sentimento da completa inadaptação, eu mesmo me respondo que nenhuma delas permaneceria!

Se nem eu tenho vontade de continuar a conviver com esse ser, que eu escondo o máximo possível, quem mais quereria passar tempo, o mínimo que fosse, com tal ser?

A única certeza é de que Deus continua a insistir em me querer, mesmo conhecendo esse amontoado de fraquezas tão notáveis e inegáveis existentes em mim! Às vezes eu pergunto a Ele: “Por que você não desiste de mim?”. Tenho a impressão de que seria mais fácil se Ele desistisse de mim, se não tivesse tanto amor assim por mim. Mas graças a Deus, graças à graça de Deus, a qual ainda me alcança!

Ô graça imensurável e incompreensível…Gostaria de entendê-la tanto quanto gostaria de conseguir recebê-la, ou melhor, aceitá-la nesses momentos de inadequação. Por que se é graça, em sua essência ela é para momentos ou pessoas inadequadas, inaptas, inaceitáveis, imperdoáveis de outra maneira deixa de ser graça, deixa de ser imerecida e torna-se passível de compra, troca, negociação.

Por tudo isso, o que eu posso fazer é receber, na minha indignidade, todo o digníssimo, distinto e imensurável amor do Pai das luzes em quem não há mudança, nem sombra de variação e, portanto, continua me amando, mesmo conhecendo meus pecados passados e todos os que ainda vou cometer!

Jesus na vida, galera!

C. H. Leonel



O Leão, a Bagunça e o Guarda-roupa
 
Aslan, guarda-roupa bagunçado, Lucy descobrindo o guarda-roupa que leva a Nárnia.

Aslan, guarda-roupa bagunçado, Lucy descobrindo o guarda-roupa que leva a Nárnia.

Sabe aquele dia quando você procura aquela blusa que você nunca mais usou? Tudo o que você sabe sobre o paradeiro dela é que não está no cesto de roupas sujas, não está no varal, junto com as roupas lavadas recentemente, a única possibilidade restante passa a ser o seu guarda-roupa. Mas onde? Com os dias passando, a pressa para sair, a falta de tempo de pôr tudo em ordem as roupas parecem ser um ser estranho que se apossou daquele espaço do seu quarto.

E a solução para, enfim, encontrar aquela blusa (e o resto das roupas perdias e esquecidas)? Pôr tudo fora, fazer mais bagunça e arrumar tudo depois.

Pois bem, parece que é isso que Deus faz com a gente. A nossa vida vai passando. E nós vamos deixando as coisas se acumularem num dos cantos que pareçam mais “apropriados”. Mas um dia você diz, novamente, que quer sua vida do jeito que Deus determinar. E adivinha só o que acontece com a sua vida? Mais bagunça! As coisas saem do lugar (às vezes você literalmente muda de endereço, foi isso que aconteceu comigo da última vez). A impressão que se tem é uma total falta de controle e de ordem, mas é isso mesmo. O controle, que deve estar nas mãos do Todo Poderoso, passou um tempo nas nossas mãos, criaturas com uma incrível e ridícula tendência de tentar manter as rédias das situações. Tão enganados somos nós quando pensamos assim.

Isso me lembra a conhecida história de quando Deus mandou que o profeta Jeremias fosse à casa do oleiro, para observar a relação entre o oleiro e o vaso de barro produzido por ele. Jeremias notou que o oleiro desfazia e tornava a fazer o vaso quando algo não estava como ele gostaria. (Jeremias 18:1-6)

Mais uma vez O Leão da Tribo de Judá me fala sobre fazer uma bagunça no meu guarda-roupa, para enfim, com tudo em ordem, poder encontrar comigo, aquilo que Ele me deu em tempos passados, imagino eu, e poder depositar algo mais dos seus valiosos tesouros. Tesouros que Ele dá a conhecer àqueles chamados pelo seu nome: povo de Deus.

Por enquanto, estou à espera dessa arrumação que só esse Leão pode fazer em meu guarda-roupa.

 

Jesus na vida, galera! 

C. H. Leonel



Visão da Cruz
30 janeiro, 2009, 7:46 pm
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cruz

Por esses dias, estava eu escrevendo um e-mail para uma amiga e comecei a falar sobre como eu passei a entender o significado da Cruz de Cristo.
Muitas vezes eu deixei escapar a totalidade de tal significado. Mas vamos à “descoberta”…
Ao analisar as palavras do próprio Jesus sobre o que Ele veio fazer aqui na Terra, a sua missão entre nós, fica perceptível a sua graça, seu amor e a nossa incapacidade de alcançar, com uma mente tão limitada que temos, a altura dos pensamentos de Deus.
E nessa análise eu percebi que há dois convites na cruz:
1- Receba o perdão de seus pecados. Até aqueles mais podres, os mais escondidos (que Ele conhece independente de falarmos a respeito deles).

2-Suba à cruz comigo e morra para o mundo e para o pecado.

Com esses convites percebi que uma parte depende dEle (o perdão), outra, de nós (a vontade de mudança).

E chega a pergunta: Será que nós (e me coloco mesmo nesse “nós”) queremos uma mudança real e profunda? Uma transposição de TODOS os caminhos errados, por onde costumamos andar, para O Caminho?

Oro sempre para que eu consiga ter essa vontade e ela me consuma…consuma cada dia de minha vida até o dia em que me encontrarei com Ele, um encontro face a face.

“Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.” Filipenses 2:13

C. H. Leonel